Campus

Central

campus
Fotografia: FG + SG - Fotografia de Arquitetura

Construída em 1908, a Central Tejo foi uma central termoelétrica, propriedade das Companhias Reunidas de Gás e Eletricidade (CRGE), que forneceu energia elétrica a toda a região de Lisboa. Operou ininterruptamente de 1909 a 1954 e manteve-se em funcionamento limitado até à década de 1970. No seu auge, tinha 15 caldeiras e 5 geradores em funcionamento.

A arquitetura da Central Tejo, com imponentes estruturas de ferro revestidas a tijolo e fachadas que refletem diversas influências, desde a arte nova ao classicismo, é típica das chamadas “fábricas de eletricidade” do final do século XIX. O atual edifício resulta de ampliações subsequentes com vista a aumentar a capacidade produtiva.

Classificada como Imóvel de Interesse Público em 1986, a Central abriu ao público pela primeira vez em 1990, então como Museu da Eletricidade. Mais tarde, passou por um período de restauro antes de reabrir em 2006, vindo a fazer parte do campus da Fundação EDP em 2016 por ocasião da inauguração do edifício maat adjacente, projetado pelo estúdio de arquitetura britânico AL_A (Amanda Levete Architects).

O Circuito Central Elétrica oferece a todos os públicos uma viagem através da história da fábrica e da evolução da produção de eletricidade e energia até às mais recentes realizações tecnológicas das energias renováveis.

Os programas dedicados à exibição da Coleção de Arte Portuguesa Fundação EDP e da Coleção do Património Energético Fundação EDP são apresentados nos espaços da Central.

maat

maat
© Francisco Nogueira

O edifício que acolhe o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (maat) foi projetado pelo ateliê de arquitetura britânico AL_A (Amanda Levete Architects) e abriu ao público em 2016. Trata-se da mais recente adição ao campus da Fundação EDP, onde também se inclui a reconvertida central termoelétrica Central Tejo, construída em 1908.

Nas palavras da própria arquiteta, “propondo uma nova relação com o rio e o mundo exterior, o Museu é um edifício poderoso, porém de estrutura delicada e de baixa altura, que explora a convergência da arte contemporânea, arquitetura e tecnologia.”

O projeto do edifício maat visou fundir estrutura e paisagem e permitir ao público caminhar sobre, debaixo e através do mesmo, ou à beira-rio. A cobertura, concebida como prolongamento do espaço público, dá acesso à cidade através de uma ponte pedonal sobre a linha ferroviária e oferece uma vista inesquecível sobre Lisboa e o rio Tejo.

Composta por quase 15 000 azulejos tridimensionais, a fachada sul do maat capta a luz natural, criando reflexos padronizados que mudam com as estações do ano e de acordo com a hora do dia.
O interior do edifício foi concebido como extensão da esfera pública. Com uma área expositiva de 3.000 metros quadrados, os espaços do Museu foram desenhados de modo a fluírem entre si organicamente, permitindo a circulação ininterrupta através de volumes de diferentes escalas com funções reconfiguráveis. A frente ribeirinha é tão essencial ao projeto que o seu desenho procurou refleti-la no espaço interior: a cobertura suspensa que proporciona uma bem-vinda sombra capta a luz do sol refletida na água através de claraboias, conduzindo-a ao interior do edifício.

O estúdio de arquitetura AL_A foi fundado em 2009 pela arquiteta Amanda Levete, galardoada com o RIBA Stirling Prize, juntamente com Ho-Yin Ng, Alice Dietsch e Maximiliano Arrocet.

Gardens

jardins
Fotografia: Miguel Baltazar

O campus da Fundação EDP e os seus edifícios — maat e Central — estão ligados por um projeto paisagístico desenhado pelo arquiteto libanês Vladimir Djurovic, oferecendo um notável espaço de lazer de livre acesso ao longo da histórica frente ribeirinha lisboeta.

Com cerca de 225 metros e uma largura média de 100 metros, o projeto faz referência às matas ciliares presentes em certas zonas do rio Tejo e visa destacar a sua natureza e características inerentes por via do contraste com a rica e variada vegetação circundante. A norte, o paisagismo é reforçado por colinas suaves e uma densa vegetação arbórea de modo a atenuar o ruído do tráfego rodoviário e ferroviário.

Junto ao rio, uma praia de cascalho pontuada por árvores e bancos feitos de troncos aparentemente dispostos de modo aleatório convida à permanência e à descontração, tal como sucede na praça aberta com bancos de granito.

O núcleo do projeto consiste numa área de prado misto florido com árvores dispersas e um caminho pedestre pavimentado com blocos de granito que conduz ao jardim adjacente, a oeste. Localizada entre a praia e os espaços arborizados, esta zona acentua o caráter distintivo de ambos os jardins, confere biodiversidade ao espaço e serve, simultaneamente, fins educativos.

Os jardins acolhem duas instalações permanentes: Placed on Either Side of the Light (1999) de Lawrence Weiner e Central Tejo (2018) de Pedro Cabrita Reis. Além destas, a zona exterior alberga intervenções artísticas temporárias e programas públicos organizados ao longo do ano.