SERES VULNERÁVEIS

instalações
Curadoria:
Andrea Bagnato e Ivan L. Munuera 
 

Seres Vulneráveis 
Assembleias públicas sobre o espaço e o tempo das epidemias

Assembleia I – Tuning In: 29/10 a 31/10/2021
Assembleia II – Sounding Out: 26/11 a 28/11/2021


“Haverá forma”, perguntou Judith Butler em 2003, “de pugnarmos pela autonomia nos diversos domínios da nossa atividade, atendendo simultaneamente às exigências que nos são impostas pela circunstância de vivermos num mundo de seres que são, por definição, fisicamente interdependentes?” As epidemias tornam-nos vulneráveis – mas reconhecer a natureza política dessa condição é imaginar uma coexistência diferente com outros seres humanos e não-humanos. 

Assente num trabalho de investigação de longo prazo realizado por Andrea Bagnato e Ivan L. Munuera, Seres Vulneráveis reflete sobre o espaço e a coabitação sob o prisma das doenças infeciosas. Numa assembleia pública que decorrerá em dois períodos distintos, convidados de diferentes disciplinas e contextos reunir-se-ão no maat para um intenso programa de palestras, conversas, atuações, projeções de filmes e música. 

O contágio é sempre função da proximidade – uma proximidade que começa a tornar-se desconfortável face ao aumento da frequência das epidemias decorrente da devastação capitalista do ambiente. Ao longo da história, os programas de controlo de contágios – aquilo que se entende por saúde pública – transformaram edifícios e cidades. Mas para lá do mundo ocidental, a saúde pública foi também um instrumento de opressão, violência e segregação colonial. No próprio Ocidente, os indivíduos e grupos sociais que se afastaram da “norma” foram vítimas de exclusão estrutural, facto bem patente na pandemia do VIH/SIDA ainda em curso. 

Seres Vulneráveis formula várias questões: como se produz e espacializa o conhecimento epidemiológico, e quem é dele excluído? Como pode a linguagem em torno da doença e da saúde ser ressignificada com vista a abolir metáforas opressivas? E que conhecimentos colher de formas passadas e atuais de organização coletiva perante o sofrimento? 

Esta é a primeira parte de um projeto distribuído por múltiplos espaços com curadoria de Andrea Bagnato e Ivan L. Munuera, ao qual será dada continuidade com Zonas de Contacto, uma exposição com inauguração marcada para o verão de 2022 em La Casa Encendida.  

Parte das conclusões e dos debates destes encontros estarão disponíveis no maat.ext (extended) e no canal do museu no YouTube. 

Andrea Bagnato é investigador nas áreas da Arquitetura, Ecologia e Epidemiologia desde 2013, no âmbito do projeto a longo prazo Terra Infecta. Entre as realizações do projeto contam-se um livro sobre paisagens infetadas na Sardenha (Humboldt Books, no prelo), o livro A Moving Border: Alpine Cartographies of Climate Change (Columbia/ZKM, 2019), bem como palestras e ensaios. Andrea leciona nestas áreas na Willem de Kooning Academy em Roterdão e na Architectural Association em Londres. Trabalhou como editor para a Trienal de Arquitetura de Sharjah, o grupo de investigação Forensic Architecture e a Bienal de Arquitetura de Chicago. De entre as publicações que editou destacam-se os dois volumes de Rights of Future Generations (Hatje Cantz, 2019–2021).

Ivan L. Munuera é académico, crítico e curador e reside em Nova Iorque. O seu trabalho situa-se na interseção da cultura, tecnologia, política e práticas corporais no período moderno e num cenário global. Em 2020, foi premiado pela Universidade de Princeton com a Harold W. Dodds Fellowship, uma distinção que reconhece o mais elevado nível de excelência académica e um percurso profissional promissor. Foi curador de exposições no Museo Reina Sofia (The Schizos, 2009), Ludwig Museum (ACAX Residency, 2010) e CA2M (Pop Politics, 2012–2013). Desenvolveu diversos projetos, nomeadamente The Restroom Pavilion/Your Restroom is a Battleground (Bienal de Arquitetura de Veneza, 2021), Bauhauswelle (Floating University Berlin, 2018) e Chromanoids (Bienal de Design de Istambul, 2016; Bienal de Arquitetura e Urbanismo de Seul, 2017).