Qual a diferença entre a história e a memória? Enquanto gesto singular, e com uma temporalidade intermédia entre presente, passado e futuro, a arte pode trazer uma dinâmica entre estes dois modos de marcar uma herança tanto coletiva como subjetiva. Este encontro será a ocasião para explorar tanto as narrativas como as formas e materiais da herança histórica no trabalho da artista Isabelle Ferreira. Revelar-se-ão várias eras da migração: a diáspora migratória dos anos 60-80 por parte do povo português, e o retorno das gerações seguintes a um território e uma vivência do sonho europeu num contexto atual.
O programa integra duas conversas em torno das obras da artista e dos temas que lhes estão associados, culminando numa criação sonora inédita de Vincent Debut e Isabelle Ferreira. A participação do público é parte essencial do encontro: todas as pessoas presentes são convidadas a colocar perguntas, intervir e comentar.
Temas-chave:
- A materialidade da memória e da história
- A expressão da memória pessoal e coletiva através do gesto artístico
- Arquivos passados e vivos
- O presente e a sua perceção da herança migratória
- O som da matéria como expressão emocional, tradução de um trauma / rutura
- A herança pessoal e coletiva da história e da memória
- As diferenças entre historialização e gestão da memória
- A cor e a matéria como veículos de superação
- A cor e a matéria como veículos de expressão aberta
Oradores: Isabelle Ferreira, Victor Pereira, Hugo dos Santos, Joana P. R. Neves e Vincent Debut
Moderação: Liliana Coutinho
Informações Úteis
Data: 28/02
Hora: 16:00–18:30
Local: MAAT Gallery
Público-alvo: Estudantes e profissionais de artes visuais, história, literatura, sociologia, antropologia e outras áreas de conhecimento; comunidades de pessoas imigrantes e emigrantes, pessoas curiosas e interessadas pelo tema.
Idioma: Português
Capacidade: máx. 40 pessoas, mín. 10 pessoas
Preço: 11€ | 25% desconto MAAT Friends e estudantes (mediante apresentação de cartão)
Agenda do programa
16:00 – 16:45: Tema - Les Témoins: herdar uma história da imigração / emigração
Intervenção foco: Victor Pereira
Moderação: Liliana Coutinho
16:45 – 17:30: Tema - Staccato: Uma história com lacunas / silêncios
Intervenção foco: Hugo dos Santos
Moderação: Liliana Coutinho
17:30 - 18:00: Criação sonora inédita de Vincent Debut e Isabelle Ferreira
18:00 - 18:30: Q&A com o público
Isabelle Ferreira (Montreuil, França, 1972) apresentou o seu trabalho em locais como a Fondation Calouste Gulbenkian Paris, o Château d’Oiron, o Institut d’art contemporain de Villeurbanne, o Espace de l’Art Concret, Mouans-Sartoux, e na 23.ª edição de Art dans les chapelles, na Bretanha. Em 2008, criou uma obra in situ, SpacioCorès, para o Centre d’art Passerelle, Brest, que reinterpretou para o Kunstverein Tiergarten, Berlim. A artista tem vindo a receber vários apoios e prémios institucionais e foi residente em instituições relevantes, como a Cité des Arts, Paris, Location One, Nova Iorque, Terra Foundation, Giverny, Astérides, Marselha, e o Domaine de Kerguéhennec. Em 2018, esteve em residência na Josef & Anni Albers Foundation. Em 2019, ganhou uma encomenda pública para a cidade de Vitry-sur-Seine. Em 2022, recebeu a bolsa Ekphrasis (ADAGP, AICA e Quotidien de l’Art). As suas obras integram coleções como a do Musée d’Arts de Nantes, Frac Normandie, Josef & Anni Albers Foundation, Cnap – Centre national des arts plastiques, Fonds d’art contemporain – Paris Collections, Fonds municipal d’œuvres graphiques et photographiques de Vitry-sur-Seine, Frac Auvergne, Frac Poitou-Charentes e recentemente do Mrac Occitanie. A artista é representada em França pela Galerie Maubert.
Liliana Coutinho é programadora de conferências da Culturgest. Foi curadora no INDEX 2022 e no INDEX 2024 Art and Technology Festival / Braga Media Arts e da Bienal de Arte Walk&Talk, Ponta Delgada, Açores (2025). Foi coeditora dos livros Close-Up (Orfeu Negro, 2022), Paisagens Imprevistas (2020) e da revista académica JSTA, dedicada à Techno-Estética (2025). Escreveu, entre outros, “Empatia: Reflexões sobre uma possível correlação humano-artificial”, em Arte, Digital, Academia, Museu Zer0 (Museu Zer0 & i2ADS, 2024), “O delicado fio do comum” , em André Guedes, Ensaios para uma antológica (Kunsthalle Lissabon e Cura Books, 2016); “L'objet: ni un fétiche ni une preuve, mais un don pour la performance”, em Performance Vie d'Archive (Les presses du réel, 2014); “O Coro, outra vez", em Anne Teresa de Keersmaeker em Lisboa (INCM, 2013); “On the utility of a universal's fiction”, em Gimme Shelter: Global Discourses In Aesthetics (Amsterdam University Press, 2013); “Hearing our pathway - A Sensous Walk”, em Mobility and Fantasy in Visual Culture (Routledge, 2013). Programou o Serviço Educativo do MACS - Museu de Arte Contemporânea de Serralves (2012-2015), e foi curadora e assistente de direção no Teatro Municipal Maria Matos (2015-2017). É doutora em Estética e Ciências da Arte pela Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne e investigadora no IHC - NOVA FCSH / IN2PAST. Professora convidada da pós-graduação em Curadoria de Arte, na FCSH/UNL.
Hugo Dos Santos é mestre em História Contemporânea e Cinema. Iniciou o seu percurso no documentário como assistente em filmes baseados em arquivos audiovisuais, dedicados a temas como imigração, exílio, colonialismo e lutas sociais, com realizadores como João Canijo e Pascal Blanchard, antes de se dedicar também ao jornalismo. Publicou em médias como France 24, Courrier International, RFI, Voxeurop e Libération. Paralelamente, está envolvido na associação Mémoire vive / Memória viva, que desenvolve um trabalho crítico sobre a memória da imigração portuguesa em França, onde contribuiu para a criação do primeiro fundo de arquivo dedicado ao tema e para a organização de ciclos de projeções de filmes raros ou inéditos. Em 2019, foi curador da exposição «Refuser la guerre coloniale», sobre o exílio parisiense dos insubmissos, refractários e desertores portugueses da guerra colonial. É também realizador dos documentários Transit (2021) e Les mains invisibles (2022), centrado num grupo de desertores e militantes anticolonialistas portugueses exilados em Paris. Depois de Paris e Lisboa, vive hoje em Sófia, na Bulgária.
Victor Pereira, doutorado em História pelo Instituto de Ciências Políticas de Paris, é investigador do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Dedica-se ao estudo da emigração portuguesa e do Estado Novo e publicou dezenas de trabalhos académicos sobre estes temas. Organizou, com Nuno Domingos, O Estado Novo em questão (Edições 70, 2010) e publicou A ditadura de Salazar e a emigração. O Estado português e os seus emigrantes em França (1957-1974) (Temas e Debates, 2014) e C’est le peuple qui commande. La révolution des Oeillets (1974-1976) (Éditions du Détour, 2023).
Vincent Debut é investigador e professor francês, especializado em acústica e vibrações, residente em Portugal há mais de 20 anos. Com formação em Engenheira e Música, desenvolve um trabalho interdisciplinar que estabelece uma ponte entre a física e a criação artística, explorando aspectos relacionados com a produção dos sons, a construção dos instrumentos musicais e as tecnologias de áudio. Entre os seus projetos mais relevantes destacam-se a caracterização acústica dos carrilhões do Palácio Nacional de Mafra, a conceção dos metalofones Sixxen da Orquestra de Câmara Portuguesa, apresentados no MAAT em 2022, no âmbito das comemorações do centenário de Iannis Xenakis, e a reconstrução virtual do som do sino mais antigo de Portugal (São Pedro de Coruche). O seu trabalho foi distinguido com cinco prémios nacionais e internacionais, sendo também regularmente convidado como consultor de acústica por diversas entidades portuguesas. Paralelamente à suas atividades académicas no Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa e na Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco, mantém uma prática artística centrada na criação e manipulação de ambientes sonoros, bem como na masterização de áudio.
Joana P. R. Neves é uma escritora e curadora independente portuguesa baseada em Londres. É diretora artística da Drawing Now Paris, cofundou a residência artística WORLDING, e é a criadora e apresentadora do podcast Exhibitionistas. O seu trabalho agrupa a curadoria, educação, investigação e escrita para livros de artista, revistas académicas e de arte, bem como para a sua página na plataforma Substack, Art Thinkosaurus.