Manuel João Vieira (Lisboa, 1962) multiplica os seus modos de intervenção artística e cívica: tem uma intensa presença na cena musical e regulares momentos de presença política; mas é como pintor que aqui se apresenta — e essa é uma das suas áreas de maior importância como figura pública.
Integrando a vaga dos mais novos artistas revelados na década de 1980, Vieira imediatamente definiu o seu peculiar estilo de intervenção. É um pintor de intensa produção, sustentada numa clara vocação figurativa de pendor narrativo. As suas telas surgem povoadas de figuras, símbolos e soluções de composição que usam a cultura greco-romana e citam os últimos séculos da história da pintura ocidental (maneirismo, barroco e rococó, romantismo e simbolismo, pintura metafísica ou surrealismo) até se encontrarem com a vocação eclética que o chamado “regresso à pintura” definiu como uma das linhas mais significativas da sua geração.
As suas obras, muitas vezes de grande dimensão, sugerem elementos de cenografias e perspetivas teatrais, metáforas dos tantos papéis que o próprio artista representa.