O livro Para Chegar ao Branco da Última Palavra (Porto: Officium Lectionis, 2025) nasce do encontro raro entre dois universos artísticos intensos e aparentemente opostos: a escrita de Rui Nunes e a pintura de Sérgio Pombo. A partir de uma conversa entre ambos, conduzida por Catarina Pombo Nabais, o livro explora as tensões e afinidades entre literatura e pintura, numa vontade de compreender os processos de experimentação artística destes dois artistas.
Nesta sessão, Rui Nunes, João Pinharanda e Catarina Pombo Nabais revisitam a conversa que deu origem ao livro e propõem um momento de pensamento partilhado entre literatura, pintura e filosofia, onde a memória se transforma em gesto vivo e onde a criação se afirma como espaço de liberdade.
A conversa no MAAT adquire um significado especial no contexto da exposição Turn around. Um olhar sobre a Coleção de Arte Fundação EDP, atualmente patente no museu, que inclui obras de Sérgio Pombo. A sua última grande exposição, na Fundação Carmona e Costa, foi comissariada por João Pinharanda, diretor do MAAT. Este lançamento é, por isso, também uma homenagem póstuma ao artista, celebrando a vitalidade da sua obra e a sua presença contínua na arte portuguesa.
Informação útil
Data: 21 de maio
Horário: 18.30–19.30
Duração: 60 min.
Local: MAAT Central, no espaço da exposição Turn around.
Público-alvo: adultos, estudantes e profissionais de artes visuais, literatura, filosofia, pessoas curiosas e interessadas pelo tema.
Capacidade: máx. 50 pessoas
Idioma: Português
Ponto de encontro: bilheteira MAAT Central
Preço: Bilhete de entrada no museu (aplicam-se todos os descontos em vigor) | Gratuito para MAAT Friends
- O acesso está sujeito à lotação dos espaços, sendo necessário levantar uma pulseira antecipadamente na bilheteira do museu (MAAT Central).
- As pulseiras podem ser levantadas a partir de 1h30 antes do evento.
- Os MAAT Friends têm entrada gratuita no museu, mas também necessitam de levantar uma pulseira.
Catarina Pombo Nabais é Licenciada em Filosofia (Universidade de Lisboa) e Doutorada em Filosofia (Université Paris 8 sob a orientação de Jacques Rancière). É autora de Gilles Deleuze: Philosophie et Littérature (Paris: Harmattan, 2013), e da edição inglesa publicada nos EUA (New York: Rowman & Littlefield, 2020), com o título Deleuze’s Literary Theory. The laboratory of his philosophy. Co-autora com Boris Groys de Towards Self-Design. Philosophical conversations (Coimbra University Press, 2022) e autora de Para chegar ao branco último da palavra. Conversa com Rui Nunes e Sérgio Pombo (Officium Lectionis, 2025). Editou quatro livros, entre eles: Processos criativos nas ciências e nas artes. A questão da participação pública (Afrontamento, 2021). Professora convidada na FMH/Universidade de Lisboa, homenageada como uma das “101 Mulheres na Ciência” pela Ciência Viva, Catarina Pombo Nabais é também curadora. Organizou exposições em museus e galerias e fundou a Oficina Impossível, uma galeria de arte e ateliers de artistas nacionais e internacionais.
Escritor português e professor de Filosofia, Rui Nunes nasceu em novembro de 1945. Licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Lisboa e enveredou pela atividade de escritor em paralelo com a de professor de Filosofia, na Escola Secundária Rainha D. Amélia, em Lisboa.
Na década de 60, passou pelos jornais, tendo visto censurados muitos dos trabalhos.
Com muitas dificuldades, publicou o seu primeiro livro As Margens, em 1968.
Imprimindo à sua escrita um discurso de características próprias, temas como a dor, a doença e a morte são recorrentes nos seus livros.
Admirador de literatura russa, de Tolstoi em particular, Rui Nunes aprecia também outros géneros artísticos, nomeadamente o cinema de Bergman e a música, Barroca, Jazz e sobretudo a música Dodecafónica de Xenakis, Schoenberg ou Pierre Boulez, admitindo uma relação de profunda intimidade entre os seus processos de escrita e os processos de composição musical destes autores.
Premiado, em 1992, com o Prémio do Pen Club Português de Ficção, atribuído ao seu livro Osculatriz, os seus novos títulos foram sempre apreciados pela crítica literária.
Pelo seu livro Grito, em 1998, recebeu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE). Manuel Frias, membro do Júri, considerou Rui Nunes: "uma das estrelas mais brilhantes da constelação literária portuguesa - ocultada, tantas vezes pelas nuvens do fácil e do óbvio".
Em 2001, recebe o Prémio da Crítica atribuído pelo Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários, pelo livro Rostos.
Uma Viagem no Outono recebe o Prémio Nacional de Poesia Diógenes em 2013.
O livro Nocturno Europeu (2014) recebe o prémio da SPA/RTP de Melhor Livro de Ficção Narrativa, em 2015.