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Assembleia O Que Nos Toca: Ferramentas para uma compreensão da violência
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Pessoas na exposição
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Pessoas na exposição
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Foto: el-Hey
Terminou
18/10/2025 - 18/10/2025
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A Assembleia O Que Nos Toca: Ferramentas para uma compreensão da violência, um momento central do programa público da exposição Miriam Cahn – O que nos olha, configura-se como um espaço dedicado ao pensamento crítico e à escuta atenta das diversas manifestações de violência que permeiam a experiência humana. Dividida em dois momentos — um workshop (não verbal) e uma conferência (verbal-debate) — esta assembleia reúne artistas, pensadoras e investigadoras provenientes de várias disciplinas, com o intuito de examinar o contributo da arte, da literatura, da música, da pedagogia, das neurociências na mediação do trauma, da memória e dos processos de resistência.

 

Este encontro visa disponibilizar ferramentas de análise e intervenção que possibilitem explorar territórios delicados, onde as dimensões simbólicas e políticas se entrelaçam. Neste sentido, o programa procura transpor o gesto artístico da artista Miriam Cahn para a esfera do comum, propondo uma reflexão partilhada sobre a violência num exercício para a sua compreensão no tempo presente. 

 

“MAS: sou uma artista mulher, trabalho a partir da minha vida quotidiana [...] com o meu corpo, com raiva, contra o desprezo e a violência.”¹

¹ Miriam Cahn, citada em Matylda Taszycka, Hand-to-Hand with Miriam Cahn, Archives of Women Artists, Research & Exhibitions Magazine, 2 de junho de 2019, https://awarewomenartists.com/en/magazine/corps-a-corps-avec-miriam-cahn/.

 

Data: 18 de outubro

Hora: 10:00-13:00 / 14:30-18:00

Idioma: Workshop Português e Inglês | Conferência em Português e Inglês (com tradução simultânea)

Capacidade: Workshop Máx. 80 pessoas Min. 10 pessoas | Conferência Máx. 150 pessoas Min. 10 pessoas

Preço*: 15€ Workshop + 15€ Conferência. Bilhete Dia Completo 25€ 

             25% desconto MAAT Friends

 *25% do preço deste bilhete reverte para a APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

 

 

Programa

10:00 – 13:00 | (Preâmbulo): Workshop com Modo Operativo AND.

Mediadoras: Fernanda Eugénio e Ana Dinger

A oficina hANDling oferece aos participantes uma introdução à filosofia habitada do Modo Operativo AND. Serão apresentadas as principais ferramentas-conceito que compõem as diretrizes éticas da prática e partilhados os princípios básicos do jogo AND de tabuleiro.

 

A oficina foca-se na dimensão (trans)formativa e de partilha do MO_AND enquanto ferramenta de mediação e composição assente no exercício do Reparar. O re-parar consiste na prática de atenção aos acontecimentos que emergem do jogo (o quê-como-quando-onde), exercitando contrariar respostas ambíguas, e deliberadamente propondo voltar a parar antes de uma nova ação/proposição com o fim de investigar “o que acontece em mim enquanto o acontecimento acontece?”.

 

Tendo como pano de fundo a exposição Miriam Cahn – O que nos olha, a oficina hANDling adensa de forma sensível questões emergentes do compromisso do Modo Operativo AND de "reparar (n)o Irreparável" e do reconhecimento de que é urgente criar espaços de desaprendizagem para descontinuar, na prática, as lógicas predatórias, extrativistas e insustentáveis do mundo tal como o conhecemos. Propondo conectar realidades e corpos diversamente afetadas pelo Irreparável, o MO_AND convoca uma mistura de saberes encarnados para coletivizar os atos de pesquisar, criar, se relacionar e habitar - convergindo na reimaginação do que pode o formato-escola enquanto dispositivo artístico.

 

Esta oficina é orientada por Fernanda Eugénio, criadora do MO_AND e diretora do AND Lab.

 

 

14:30 – 18:00 | Conferência

Conferência e debate em que se propõe um espaço de escuta crítica e reflexão sobre as múltiplas expressões da violência na experiência humana.

 

 

14:30 – 16:00 | Painel 1: Ferramentas artísticas: Corpos – Fronteiras

Conferências (90 min.) com Joana Barrios (artes performativas), Tatiana Salem Levy (literatura), Selma Uamusse (música). Moderação: Gaya de Medeiros (dança, coreografia).

 

Este painel propõe uma escuta cruzada entre diferentes práticas artísticas que lidam com o corpo como território político, emocional e poético. Através da literatura, da música e das artes performativas, as oradoras convocam experiências vividas e imaginadas que atravessam fronteiras de género, linguagem e pertença. As suas obras oferecem modos de resistência, cuidado e expressão que nos desafiam a repensar os limites da identidade, da memória e do desejo.

 

 

16:00 – 16:30 | Coffee Break

 

 

16:30 – 18:00 | Painel 2. Ferramentas práticas: Corpos – Territórios

Conferências (90min.) com Guadalupe Amaro (medicina-veterinária, cronista), Marta Dziewańska  (curadoria), Nicola Graham-Kevan (psicologia da justiça criminal). Moderação: Maria João Faustino (psicologia da violência sexual)

 

Neste segundo painel, abordam-se as formas como a violência se inscreve nos corpos e nos espaços, partindo de olhares provenientes da curadoria, da psicologia e da prática social. As oradoras exploram estratégias para compreender, cuidar e reconfigurar territórios atravessados por trauma, medo e conflito. Este momento convida à partilha de ferramentas críticas e transformadoras que nos ajudem a pensar a reparação — individual e coletiva — como prática quotidiana.

Accordion

 AND Lab | Centro de Investigação em Arte-Pensamento & Políticas da Convivência é uma plataforma de pesquisa praticada que se dedica ao desdobramento contínuo, à transmissão, à partilha e à aplicação do Modo Operativo AND (MO_AND). O MO_AND é uma metodologia para a investigação ético-estética, somático-política e experiencial da relação e da reciprocidade, assente no compromisso radical em 'reparar (n)o Irreparável", criada pela antropóloga e artista Fernanda Eugenio. É um jogo não competitivo para praticar os desafios da convivência. 

Gaya de Medeiros é bailarina, atriz e encenadora. Já trabalhou com diversas coreógrafas e encenadores em Portugal. No cinema, protagonizou a curta Um Caroço de Abacate, de Ary Zara, premiado em diversos festivais. Criou os espetáculos Atlas da Boca (2021), BAqUE (2022), Pai para Jantar (2023), Cafezinho (2024) e Corre Bebé (2025), que já viajaram por mais de 16 países e 28 cidades. Fundou a BRABA, uma plataforma que visa apoiar, viabilizar e financiar iniciativas protagonizadas/direcionadas para a comunidade trans e não binária.

Maria João Faustino é doutorada em Psicologia pela Universidade de Auckland. Tem feito investigação sobre violência sexual e desenvolvido o tema do consentimento sexual, de uma perspectiva crítica, em publicações científicas e nos media. É investigadora do projeto UnCover. Violência Sexual nas Paisagens Mediáticas Portuguesas, no CES-UC. Tem colaborado com associações feministas e de apoio a vítimas-sobreviventes de violência sexual, bem como em projetos sobre violência sexual baseada em imagens (VSBI) e violência na intimidade. É ainda coautora do livro "#MeToo. Um segredo muito público. Assédio sexual em Portugal" (Roque, Santos, Faustino e Garraio, 2024).

Marta Dziewańska é curadora no KANAL-Centre Pompidou, em Bruxelas. Entre 2019 e 2023, foi curadora no Kunstmuseum Bern, na Suíça, e entre 2007 e 2018, curadora e diretora de investigação no Museu de Arte Moderna de Varsóvia. Em 2017, foi consultora curatorial da documenta 14, em Atenas e Kassel. Foi curadora e co-curadora de vários projetos expositivos: “Anecdotes of Destiny” (Kunstmuseum Bern; 2023), “miriam cahn: MA PENSÉE SERIELLE” (Palais de Tokyo, 2023), “Feliza Bursztyn: Welding Madness” (Muzeum Susch; 2021), “Things Fall Apart” (Kunstmuseum Bern, 2020), “MIRIAM CAHN: I AS HUMAN” (MoMA Warsaw, 2019), “Alina Szapocznikow: Human Landscapes” (The Hepworth Wakefield, 2017), entre outros.  Editora e coeditora de (entre outros): Miriam Cahn: Ma pensée sérielle (2023), Tools for Utopia (2020), Points of Convergence. Alternative Views on Performance (2017), Maria Bartuszova: Provisional Forms (2015), 1968-1989. Political Upheaval and Artistic Change (2009), entre outros.

Selma Uamusse (1981, Maputo, Moçambique) é cantora, autora, compositora, performer e, ainda, atriz. Está radicada em Portugal desde 1988. É uma mulher emigrante moçambicana, fugida da formação de engenharia e agora emergida na música em várias das suas vertentes, no país que escolheu abraçar, Portugal. Vocal em assuntos sociais que a perturbam, uma mulher que se move em fé e de compaixão pelos outros e que olha para a sociedade como um todo, uma espécie de aldeia global que se inquieta quando uma das suas partes não funciona bem. E aqui vive a inspiração das canções desta cidadã comum que escolheu a música para veículo de transformação da sociedade.

Joana Barrios (n.1985) divide-se entre teatro, televisão, internet, cozinhas e rádio.  É atriz formada pela ESTC e fez uma pós-graduação em Crítica de Cinema e Música Pop. É membro do Teatro Praga desde 2008. Para além do teatro, interessa-se por gastronomia e moda, sendo colaboradora regular dos canais televisivos RTP2 e 24Kitchen com formatos originais concebidos pela própria e subordinados aos temas já mencionados.  Tem publicados cinco livros de receitas e conduz um programa de entrevista gastronómica semanal, na Antena 1.  

Tatiana Salem Levy é escritora, investigadora na Universidade Nova de Lisboa e colunista do jornal Valor Econômico. Publicou os romances A Chave de Casa (Prêmio São Paulo de Literatura), Dois Rios, Paraíso, Vista Chinesa Melhor não contar. É também autora de dois livros infantis, Curupira Pirapora (Prêmio FNLIJ) e Tanto Mar (Prêmio ABL), do ensaio A experiência do fora: Blanchot, Foucault e Deleuze e do livro O Mundo Não Vai Acabar, que reúne crónicas publicadas desde 2014. Eleita pela revista britânica Granta para a seleção dos 20 melhores jovens escritores brasileiros, os seus livros já foram publicados em 16 países. 

Guadalupe Amaro. 29 anos. Expatriada ribatejana, rebatizada lisboeta. Médica-veterinária por ofício, escritora por natureza, analista sociopolítica por defeito e ativista por obrigação. Exerce a sua profissão na Direção-Geral de Alimentação Veterinária, integra a associação Anémona, o movimento Vida Justa e o Grupo de Reflexão da Presidência da República “O Futuro Já Começou”. Escreve para quem a queira ler e fala para quem a queira ouvir. Discutivelmente influente, mas não influencer. Move-a a promessa do progresso e a luta pela liberdade que não existe sem justiça. Inconformada, insubmissa e, por vezes, insolente. 

Nicola Graham-Kevan: Nos últimos vinte e cinco anos, dedicou a sua carreira a compreender as dinâmicas ocultas da agressão, do abuso e da recuperação. Como professora de psicologia da justiça criminal, estuda a violência em geral, a violência doméstica, o assédio, a vitimização, o trauma e o que ajuda as pessoas a seguir em frente. Os seus primeiros trabalhos investigaram como os comportamentos controladores e a agressão física operam nas relações íntimas. Com o tempo, questionou suposições simples — por exemplo, que apenas os homens controlam as mulheres — e desenvolveu maneiras mais subtis de ver o abuso, reconhecendo que o controlo coercitivo assume muitas formas, que as vítimas podem ser homens ou mulheres e que cada situação tem as suas próprias complexidades. Na prática, liderou avaliações e elaborou programas de intervenção e treino para ambientes de justiça criminal e serviços comunitários. Um exemplo é o programa «Inner Strength» (Força Interior), concebido para apoiar pessoas que recorrem à violência doméstica a mudar comportamentos prejudiciais. Também dirige a TRAC Psychological Limited, que oferece formação, conceção de terapias e avaliações baseadas em evidências.  O seu objetivo tem sido fazer a ponte entre a investigação e a vida real: ajudar serviços, tribunais, terapeutas e comunidades a reconhecer o abuso em todas as suas formas e a construir apoio e trazer mudanças que realmente funcionem.  

Ana Dinger | Co-Investigação-Criação e Curadoria; Coordenação do Programa 'AND Todes': Ana Dinger estudou dança e artes visuais, história e teoria de arte. Desde cedo oscilou entre teoria e prática e minou, com maior ou menor subtileza, constrangimentos disciplinares. O seu percurso académico inclui passagens pela ESD, FBAUP, FBAUL (licenciatura em Escultura) e UCP (pós-graduação em Arte Contemporânea e doutoramento em Estudos de Cultura). Escreve sobre artes visuais e artes performativas, sobre o que podem os arquivos e os corpos e os corpos-arquivo, sobre modos de continuação dos trabalhos artísticos, sobre fantasmas como manifestações metonímicas. Investigadora associada ao AND Lab desde 2015, acompanha assiduamente escolas e labs,  colaborando, mais intensamente entre 2015 e 2019, no processo de contínua reformulação do Modo Operativo AND, nomeadamente no projecto “Do  Irreparável: o que pode uma ética de reparação?”, ou na organização, coordenação e concepção editorial da Caixa-Livro AND. Da sua atividade paralela destaca-se o programa de investigação, exposição e livro “Dança não Dança”, uma antologia da nova dança portuguesa, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, do qual foi co-curadora.

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